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sexta-feira, maio 27, 2005 |
11:24 AM
um mes na America... hoje faz exatamente um mes que pisei em solo americano. para comemorar, queria enumerar aqui as dez coisas mais bacanas e as dez mais chatas de se estar aqui. ou, pelo menos, o que consegui perceber em 30 dias. bacanas: 1. a seguranca!! a cidade onde estou tem indice de crimes praticamente nulo [mas mesmo assim, os traumas de Rio de Janeiro me acompanham e eu ainda me pego me assustando com qualquer estalido de madeira na casa, imaginando que alguem nao-autorizado e cheio de pessimas intencoes esta' entrando pela porta dos fundos]. 2. a beleza natural do lugar. muito verde, arvores, flores, passarinhos e bichinhos selvagens que eu so' conhecia de filmes, como guaxinins e esquilos. 'as vezes tenho a impressao de estar numa historinha de Disney. 3. a limpeza. ate' acontece de voce encontrar uma lata de pepsi jogada em algum lugar, mas em geral, as ruas sao muito limpas e conservadas. 4. pessoas atenciosas. e' muito raro encontrar alguem que nao demonstre simpatia e desejo sincero de te ajudar onde quer que se va'. 5. liquors stores imensas e transbordantes de cervejas importadas. variedade de comidas nos supermercados. tem de tudo. fazer dieta aqui e' tao facil que eu fico admirada com o numero de gordinhos transitando por ai'. tanto que eu tenho comido pra' caramba [claro, nos padroes da minha dieta low carb], tomado cerveja mais de duas vezes por semana e nao engordei uma grama. 6. ninguem torce o nariz se voce andar de meias roxas e vestido amarelo, mesmo sendo uma cidade provinciana. adoro o respeito pelo espaco do outro que se cultiva aqui. 7. inclusao digital acessivel [aqui compra-se um laptop otimo e novo pelo mesmo preco de um pc medio ai' no Brasil], livros baratos, material de desenho idem. o que me leva a concluir que aqui e' muito mais facil ser artista e intelectual. 8. recolhimento de lixo reciclavel de quinze em quinze dias. 9. restaurantes com comida farta e, quando seu cha' ou refrigerante acaba, eles vao enchendo o seu copo ad infinitum. e voce nao paga mais por isso [pena que nao acontece o mesmo com a cerveja]. 10. a populacao mais pobre vive em conjuntos residenciais ate' bem jeitosinhos. podem ser vistos ate' alguns carros estacionados. meu noivo os compara 'as favelas cariocas... eu bem que queria que realmente fossem parecidos... chatas: 1. o lixeiro so' aparece uma vez por semana. tem que guardar o lixo perecivel no freezer [argh!] em saquinhos plasticos, ate' chegar o dia de finalmente por para recolher. 2. as pessoas nao fazem cerimonia em comer com as maos em lugares publicos. [acho ate' que sou eu quem passa vexame usando garfo e faca para tudo.] 3. tudo e' longe. nao da' pra' ir a pe' fazer coisas simples como comprar pao: so' de carro, e no Wal Mart ou Kroger [mega supermercados] mais proximo. 4. a importancia demasiada que dao 'as guerras do passado e a todos os seus simbolos. 5. ainda nao entendi bem como funcionam as questoes financeiras individuais, mas ja' deu pra' perceber que, para o governo, voce e' a sua conta bancaria. 6. muitos programas de tv bizarros. tudo e' cortado, a todo momento, por muitos comerciais, a maioria de junk food. as novelas parecem ter sido produzidas no Mexico. nao se sabe quem copiou quem. e a voz do Cartman no South Park original e' muito sem-graca. o Cartman brazuca e' muito mais engracado e fala mais palavroes tambem. 7. nao tem servico publico gratuito de saude [coisa que nao consegui conceber num pais como esse]. se eu precisar de cuidados medicos antes de me casar, meu noivo vai ter que desembolsar algumas centenas de dolares. 8. pessoas em sua maioria [aparentemente] alienadas e sem nocao do mundo. apesar da facilidade de informacao e do acesso 'a cultura, elas nao parecem fazer muitos esforcos para melhorarem. [obs.: essa e' uma teoria da qual ainda nao estou muito certa, mas com o tempo me corrijo, caso esteja equivocada.] 9. os horriveis avisos, com direito 'a alarme e tudo, que cortam a programacao de tv sempre que esta' chovendo forte, como se estivessemos na iminencia de uma catatrofe. sao sempre entremeados com recomendacoes expressas sobre o que fazer caso um tornado se aproxime. 10. nao vejo as pessoas se abracando muito, nem beijinhos, nem demonstracoes explicitas de afeto. quando a Nuvem me ligou essa semana, e eu cai' no choro, meu noivo ficou espantadissimo; nao entendia porque eu tinha chorado ao falar com alguem no telefone... quinta-feira, maio 26, 2005 |
9:48 AM
dia de cortar a grama eu detesto dias de cortar a grama. justamente quando o quintal esta' mais bonito, mais cheio de vida, e' preciso cala'-lo. essa semana as margaridinhas amarelas e os dentes de leao rarearam, e deram lugar a umas florezinhas brancas de folhas cor de rosa. se espalham feito um tapete. e justamente agora, quando o quintal quase canta, e' preciso sega'-lo. mania besta. tudo bem, eu tambem nao quero que o quintal vire um matagal sem sentido. mas tambem acho um exagero cortar a grama a cada duas semanas. essa gente nao sabe o que e' ser feliz. felizmente as flores nascem rapido, no dia seguinte elas ja' estao acordando novamente, elas revivem. e' preciso reviver. + hoje, eu conversei com Deus de um jeito que ha' tempos eu nao fazia. eu senti que precisava me sentar 'a luz do sol [tambem ha' tempos nao me sentava 'a luz do sol] com minha xicara de cafe', olhar as flores de perto, os passarinhos, respirar. [aparte informativo: muita gente nao sabe disso, mas o ar tambem tem alimento - o que os indus chama de prana - e que e' tao importante para a manutencao do corpo fisico como a comida e agua. quanto mais prana voce absorve, mais as suas celulas trabalham e se renovam, as toxinas sao liberadas mais frequentemente, e a saude fica, consequentemente, melhor. exercicio fisico te obriga a absorver muito prana atraves da respiracao, e esse e' um dos motivos pelo qual quem faz exercicios regularmente tem mais resistencia e vive mais e tem mais qualidade de vida.] como tenho agradecido cada momento desses. cada pessoa se conecta com o seu deus do jeito que acha melhor; alguns acham que ele esta' nos altares, outros em imagens de gesso, outros ainda acham que ele esta' sentado na nuvem que fica sobre a nossa janela, vigiando se estamos nos masturbando ou vendo pornografia na internet. o meu Deus vive no meu coracao, e se esparrama por todos os lugares em que eu ande. e sorri em manhas como essa, quando o sol se abre sobre as flores. e me escuta enquanto eu canto a oracao de Sao Francisco de Assis e peco por meus queridos que estao longe, e peco por mim, que me inspire a fazer feliz esse que esta comigo e que tantas alegrias tem me dado. o meu Deus vive alem do que se pode sentir e compreender. e, jamais pensei que algum dia na minha vida eu pudesse dizer isso, mas... de repente, passei a gostar muito de dias de sol. + meu noivo acha que eu devia me enturmar, para nao me sentir tao so' e aprimorar o ingles. ainda estou tentando digerir a ideia, ja' que nao sou exatamente uma people person. e, aqui, o botao da timidez emperrou mesmo. como nao existem lojas rosacruzes pelas redondezas, ele deu a ideia de procurar grupos pagaos aqui em Frankfort. nao acho a ideia de todo ma', mas nao quero mais me juntar a covens, ate' porque, apesar de gostar muito das celebracoes e dos rituais, nao compartilho de muitas das crencas deles, e nao acho que seria muito honesto participar so' para fazer amigos. pensei em, talvez, montar um grupo de estudos de tarot, astrologia ou metafisica em geral. vamos ver... por hora, estou bem entre o povo invisivel, mas vamos ver ate' onde vao os limites do eremiterio. + um a um, vao chegando livros de arte pre-rafaelita e simbolismo. ele adora me dar presentes e sabe exatamente o que me faz feliz. + e eu achei esse negocio aqui no blog do Kioshi. minha ambicao agora e' criar a minha lista de bandas favoritas. segunda-feira, maio 23, 2005 |
10:57 AM
![]() meu irmao e eu. nao falo com ele a quase tres semanas: picuinhas tipicas de irmaos. as nossas sao meio serias, mas passam. adoro essa foto. 10:51 AM
![]() my going away party. a festa foi organizada pelo meu irmao, quase 'as vesperas da minha partida. aqui, depois de um consideravel numero de cervejas: meu Principe querido, Tubarao, minha Nuvem, e eu. 10:27 AM
a manha, enfim ouvindo: Positivity, Suede acordei cedo. finalmente consigo aproveitar um pouco mais da manha, a parte do dia que mais gosto. valeu a pena ver o sol pela janela da cozinha, ascendendo devagar, revelando aquelas florezinhas brancas que comecaram a nascer na semana passada e que eu nao conhecia. fiz o cafe, planejei o almoco rapidamente; tem peixe descongelando e arroz integral. a mesa de desenho esta' 'a minha espera, lindissima depois que finalmente colocamos a luminaria. e' manha de segunda-feira, o cafe' estava uma delicia, e eu nao sinto frio. hora de preparar as tintas. estou em paz. sexta-feira, maio 20, 2005 |
11:55 AM
as duas vidas minha mesa de desenho chegou na segunda-feira. ela e' menor que a outra, a que eu deixei no Brasil, e mais leve tambem. e tem banquinho. e um lugar para descansar os lapis. estou animada, fazendo pesquisas, tentando arrumar um lugar para todas as minhas influencias no meu trabalho. dificil. eu sou a rainha das influencias. art noveau reina absoluto, e agora tem essa paixao nova por folk art. dificil, dificil. o problema e' harmonizar a vidinha de dona de casa com essa ai', a minha vida paralela, que e' bem mais, bem mais do que meramente profissao. e' a unica vida que conheco bem e que sei viver de verdade. essa aqui de fora, senhores, ainda luto para compreender; preciso de muitas cervejas para fazer o servico. entre a louca suja na pia e o almoco por fazer, tento arrumar um espaco para minha cidade cinza e minha gente de dimensoes paralelas. 'as vezes e' dificil; sou INFP assumida, e INFPs nao sao bons em organizar coisas - principalmente as proprias vidas. a uns anos atras eu tacaria os pratos na parede e deixaria o arroz queimar deliberadamente a qualquer vento frio que a nao-vida soprasse no meu rosto. hoje eu respiro fundo e tento entender e me moldar; afinal, estou aqui por que escolhi. estou aqui por que uma coisa chamada amor ainda me mantem no mundo dos mortos. + yeah! e o Jude Law vai fazer o Adrian Veidt!! segunda-feira, maio 16, 2005 |
12:30 AM
eu vi... "Kingdom of Heaven/Cruzada". ver filmes em ingles sem legendas e' um inferno, porque eu estou aqui ha' pouco mais de duas semanas e ainda nao me habituei completamente ao ritmo da lingua falada. pena. o filme, mesmo compreendido em 50%, e' muito bom. esteticamente deslumbrante, e uma trilha sonora deliciosa, sem aqueles cliches de trilha sonora de filme medieval. pena que o Orlando Bloom nao esteja com essa bola toda. eu desconfiava que ele nao era mesmo muito bom, mesmo que tivesse ficado encantada com o Legolas, de "O Senhor dos Aneis". falta expressao, o rosto do menino 'as vezes parece feito de pedra. e aquele ator sirio que faz o Saladin e' o que ha': o cara e' o poder e a honra personificados. da' gosto ver interpretacoes assim. espero que, quando finalmente estrear "Charlie and the Chocolate Factory", eu consiga entender pelo menos uns 70%. + by the way, o Johnny Depp nasceu aqui em Kentucky. a mae dele ainda mora em Lexington, cidade vizinha que visitei pela primeira vez no ultimo fim de semana. e porque eu amo o Johnny Depp e porque Deus e' sempre tao legal comigo, quem sabe, qualquer dia, eu nao esbarre com ele por la'. domingo, maio 15, 2005 |
11:45 PM
aquele dos livros ja' vi esse survey numa porcao de blogs por ai'. tambem quero. 1.Sem sair do formato papel, que livro você gostaria de ser? algo perturbador e inteligente como "Watchmen", do Alan Moore. ou um livro silencioso e bonito: talvez um daqueles da Taschen, sobre o Monet. nao que eu seja particularmente apaixonada por ele. mas porque nao conheco quem nao o seja. 2. Você já ficou meio apaixonado(a) por um personagem de ficção? sim. pelo Lancelot, de "As Brumas de Avalon". na minha cabeca, ele tem olhos lindos e tristes. 3. Qual foi o último livro que compraste? acho que foi "Tarot, Espelho da Alma", do Gerd Ziegler. 4. Que livros estás a ler? muitos, e, ao mesmo tempo, nenhum. vim morar numa casa contendo uma extensa biblioteca com alguns dos meus assuntos preferidos: ocultismo, nazismo e arte. minha insaciavel curiosidade geminiana nao me deixa iniciar definitivamente nenhum deles: vou comendo pelas beiradas ate' ter folheado todos os que mais me interessam, e assim, poder me definir. mas ha' uns bons dois anos estou lendo "Jung e o Tarot - Uma jornada arquetipica", da Sallie Nichols, sem conseguir terminar. embora muito provavelmente optarei logo por "V de Vinganca", obra elogiadissima do Alan Moore que eu ainda nao li e que tambem encontrei na referida biblioteca. 5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta? "Astrologia, psicologia e os quatro elementos", do Stephen Arroyo, "Jung e o Tarot - Uma jornada arquetipica", da Sallie Nichols, "A Genese", de Alan Kardec, "O Senhor dos Aneis", do Tolkien, e todos os arcos de historias de "Sandman", no Neil Gaiman. 6. A quem vais passar este testemunho e por quê? pra' ninguem, porque acho uma falta de respeito empurrar coisas inuteis como essa pros outros. sexta-feira, maio 13, 2005 |
12:28 PM
os horizontes novos essa semana finalmente me animei a comecar um novo portfolio de ilustracao. o processo de brainstorm e demorado e me angustia. as coisas querem sair mas o brainstorm nao deixa. e' muita vontade de fazer coisas boas, pelo menos para os meus padroes. e eu sou meio perfeccionista, exigente demais comigo mesma, e um porre como critica de arte. geralmente acho um lixo muitas coisas sobre as quais as pessoas geralmente babam, e ja' vi muita coisa realmente de valor no limbo (vide o Deviantart, que ha' muito passou um ser apenas mais uma escada na luta por popularidade. os desenhistas de manga' encontram seu pedestal perfeito por la', enquanto muita gente que se esforca por ser original e buscar solucoes graficas diferentes permanece nas sombras. nao estou desmerecendo quem desenha manga', ja' que tenho respeito por todos os estilos, mas tenho la' minhas restricoes e a minha crenca de que a fixacao por ele pode podar e limitar um artista ainda 'a procura de um estilo proprio.) diferente do Brasil, onde o mercado e' fechado e as panelinhas reinam, o mercado americano de ilustracao e artes graficas e' como uma maravilhosa vitrine de confeitaria. tem de tudo, para todos os publicos: imaginem que tem ate' editora especializada em publicar livros so' de criancas de 13 anos; outra, veja voce, so' publica uma tal revista que conta historias de pessoas que se encontraram com anjos. eu pensei inicialmente em trabalhar so' para o mercado infantil, de fantasia e esoterico, mas como estou recomecando do zero, seria mais interessante nao fechar outras portas, e aceitar o que vier. para isso, preciso de um portfolio variado, e a coisa fica ainda mais complicada. apesar de atraente, o mercado tambem e' muito concorrido, e tem muita gente boa e criativa. eu nao sei ate' que ponto o fato de eu ser sul-americana me impediria de concorrer em pe' de igualdade com o povo daqui, mesmo que eu fosse excepcionalmente boa. mas acho que nao - ha' desenhistas brasileiros muito bem conceituados no mercado daqui. alem do mais, nenhum artista e' igual ao outro, e pode ser que apenas voce tenha o que o seu cliente quer naquele momento, independente de voce ser americano, mexicano ou paquistanes. minha mesa de desenho nova deve chegar em duas semanas. ela e' linda, bem cla'ssica, mas pelo site parece ser um pouco menor do que a que eu deixei no Brasil. para que eu me sinta completamente feliz, agora, so' falta uma bicicleta. e um gato. segunda-feira, maio 09, 2005 |
11:27 PM
just this heart deep and true Andy Warhol [acho que foi ele mesmo] colocou "America is not the World", do Morrissey, na jukebox. ele tem o jeito do Carlinhos de andar e de vestir, e so' esse fato me deixa imensamente feliz. afundei na poltrona do bar. mais um gole de Red Stripe [quem disse que a cerveja brasileira e' a melhor do mundo, mesmo, hein?], uma olhada para os posters underground na parede. que gente de filme, quantas meninas lindas, eu sempre sonhei em estar num bar desses. ah, America, nunca pensei que fosse gostar tanto de seus espacos, de sua atmosfera de irrealidade. carros passam, meu noivo ri, o Andy Warhol passeia de um lado para outro, e minhas lagrimas descem, quentes, escondidas. faltam algumas pessoas ali. falta o Luke querendo cantar as meninas, falta o Principe querendo dancar. + o que sao as ruas de Lexington, meu Deus? sera' que todas as ruas dos EUA sao desse jeito? e o que e' a liberdade que se respira aqui? se o medo existe, onde esta', que nao consigo ver? + foi na hora de dormir que afundei a cabeca no travesseiro e chorei. fiquei tentando imaginar os filhotes da minha gata Sofia, que ja' nasceram [mamae teve que leva-la para fazer uma cesariana], juntamente com seus enormes olhos azuis e cheios de palavras; o Beto, fofo e enorme e criancao demais para a idade, e a gatinha Capitu, recolhida das ruas, que deve estar crescendo rapido e, segundo o Principe, quer ajudar a cuidar dos filhotes tambem. sao eles as minhas lembrancas mais doloridas, porque eles significam tudo de mais bonito que deixei. senti falta do quarto quentinho do Principe, das nossas conversas e risadas enquanto assistiamos O Senhor dos Aneis pela quinquagesima vez. senti falta da voz de minha mae na cozinha conversando com os gatos e fazendo cafe' ralo - que eu precisava refazer assim que levantasse. sao as coisas mais simples as que mais doem. e nao, nao ha' glamour em se vir morar num pais desenvolvido. ha' muitas coisas boas, sem duvida. mas ha' coisas que nao te acompanham, por que pertencem ao mundo que vc deixou. coisas lindas e preciosas que se transformam em lembrancas e lagrimas num travesseiro. e preces - preces que jamais pensamos que existissem em lugar algum do peito. sexta-feira, maio 06, 2005 |
10:39 AM
sem casaco a temperatura esta' esquentando rapidamente e eu ja' posso me dar ao luxo de andar sem casaco pela casa. confesso que, apesar da minha paixao por dias frios e cinzentos, estou muito curiosa para saber se o calor daqui e' mesmo tudo aquilo que ouvi falar. me parece que esta e' uma regiao de extremos: muito frio no inverno, muito calor no verao. hmmm... ainda nao consigo acreditar que exista algum lugar tao insuporta'vel quanto o Rio de Janeiro no quesito calor, mas veremos. estou simplesmente encantada com a bicharada do lugar. adoro ver os passarinhos indo e vindo pelo quintal, e fico a todo momento vigiando para ver se avisto algum representante da fami'lia de coelhos que mora no fundo da propriedade. ja' consegui ver um, mas eles sao muito ariscos e misteriosos. tambe'm ja' vi guaxinim e gato do mato. aqui perto tem uma reserva florestal, e de vez em quando os veados dao uma escapulida para espairecer pela vizinhanca. e' preciso cuidado ao dirigir 'a noite. adoro bichos e me sinto imensamente feliz com a proximidade deles. meu sonho de consumo mais querido, no momento, e' um gato. eu tenho tres na minha casa no Rio [uma delas, gra'vida], e morro de saudades; uma casa sempre e' mais triste sem aquelas coisas peludas pulando para ca' e para la', ou ronronando no seu colo... mas vou providenciar um assim que der. me parece que aqui e' proibido gatos pelas ruas; eles tem o maior cuidado com a questao da disseminacao de doencas, essas coisas. e quem tem gato sabe o quanto sao vadios e curiosos, nunca se furtando a umas escapulidas. mas a gente da' um jeitinho. + ando preocupada com umas coisas esquisitas que tenho sentido. acontece sempre 'a tarde, um pouco depois da hora do almoco. fico tonta, com uma sensacao horri'vel de estar "fora do corpo", ou desconectada da realidade. desesperador, simplesmente. sinto como se fosse morrer, ou perder o controle. infelizmente, por enquanto nao tenho direito a assistencia me'dica, e vou ficar ainda algum tempo no escuro. mas tudo indica que tenha a ver com a crise que sofri no domingo, dois dias antes da viagem: tive que ser levada para a emergencia 'as pressas, com uma forte sensacao de desmaio, taquicardia e tremores horr'iveis. o m'edico diagnosticou crise nervosa + um pouco de desidratacao devido 'a manguaca do s'abado. soro glicosado e v'arios tranquilizantes depois, eu estava pronta para voltar para casa, com uma receita tarja preta no bolso. gracas aos milagrosos comprimidos, consegui viajar de aviao sem neuras e ficar o'tima o tempo todo. achando que nao ia mais precisar, engavetei os comprimidos - tenho horror de reme'dio, tarja preta entao, nem se fala. so' que desde a semana passada, as sensacoes esquisitas retornaram, nao tao fortes, mas suficientemente assustadoras. nao tive outra alternativa, e voltei aos reme'dios. ja' rezei pra' todos os santos e tenho esperanca de que isso passe logo, que seja apenas uma fase. quinta-feira, maio 05, 2005 |
11:24 AM
Frei Betto rules "Prefiro um Papa que defenda a mulher adúltera do moralismo exacerbado e não se escandalize quando encontrar uma mulher que vive com o sexto homem. Dobre-se a ela e, em vez de censuras, encha aquele coração voraz do amor de Deus. Um Papa que, entre o direito à vida e a lei, opte pelo primeiro, denuncie os ricos que oprimem os pobres e faça-os devolver o que roubaram. E tenha a ousadia de dizer ao homem abastado: 'Falta-te tomar partido a favor dos pobres'. Sonho com um Papa peregrino pelos caminhos do mundo; cercado de pescadores e artesãos, de mendigos e deficientes; capaz de proclamar aos teólogos da ortodoxia que as prostitutas os precederão no Reino de Deus. Um Papa que proclame bem alto que são bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça e que, por essa razão, são perseguidos pelos poderosos; e ensine que não se deve governar como os tiranos, mas sim como aquele que serve. Prefiro um Papa que recrimine fiéis que se recusam a erradicar a fome e ensine que a partilha dos bens da terra e dos frutos do trabalho é a condição para que todos tenham vida em plenitude. Um Papa que não aprisione a Igreja num espiritualismo vazio, mas ensine que Pai Nosso é sinônimo de Pão Nosso. O Papa dos meus sonhos adota o pão, e não a cruz, como símbolo de sua fé, e faz da partilha da comida e da bebida um sacramento. Não teme ser preso e condenado à morte pelos poderosos que se arvoram em oráculos divinos. Quero algo simples: um Papa em cujas palavras e iniciativas, transpareça Jesus de Nazaré." terça-feira, maio 03, 2005 |
11:44 AM
de sonhos e torturas [ironico e' eu estar, apo's uma vida inteira sonhando com o lugar idilicamente perfeito para viver, estar questionando isso tudo agora...] + a vida passa numa normalidade e tranquilidade assustadoras. ja' cheguei a pensar que tivesse morrido no piripaque do domingo passado [esse eu ainda nao contei...] e agora estivesse em algum lugar do plano astral, justamente onde os sonhos estao plasmados. + o pior desafio tem sido a cozinha. acordar de manha e nao saber o que preparar para o almoco [que sera' levado no dia seguinte pelo meu noivo para o trabalho] esta me fazendo sentir todas as torturas do inferno. e' claro que eu sou horri'vel na cozinha e so' faco bagunca: tenho maos de artista, nao de cozinheira. portanto, caso algue'm ai' tenha umas receitinhas, daquelas bem fa'ceis que nao demandam tempo nem operacoes que certamente darao errado nas maos de cozinheiros incompetentes, enviem por favor para o email ao lado. minha gratidao sera' eterna. segunda-feira, maio 02, 2005 |
11:32 AM
"sindrome de perfeicao?" tenho tantos emails para responder, scraps atrasados no Orkut, pessoas entrando em contato pelo msn e Skype, que nao tem sobrado muito tempo para atualizar o blog. ale'm do mais, vida de dona de casa, mesmo com toda a liberdade que tenho aqui, e' outra coisa, ne'? mas vou tentando atualizar aos pouquinhos. por hora, basta dizer que sim, estou amando tudo por aqui. so' vejo gente quando sai'mos para comprar qualquer coisa, e a paz reina absoluta, entre passarinhos, mu'sica e pequenos desastres culina'rios. ha' um certo isolamento, apesar da vizinhanca, e isso nao me assusta, muito pelo contra'rio. sinto-me perfeitamente segura, de um jeito que nem me lembrava mais como era depois que a violencia no Rio de Janeiro deu uma arrancada e passamos a suspeitar ate' da nossa pro'pria sombra. o fim de semana foi memora'vel. ja' experimentei cerveja jamaicana, canadense e da Louisiana (Blackened Voodoo, queria tanto ter guardado a garrafinha...), e num dos bares que visitamos, com mu'sica ao vivo no final da tarde, curiosamente o artista comecou o set com nada menos que... bossa nova. achamos muito engracado, e ate' pensei que ele tivesse adivinhado que eu era brasileira (e'ramos o u'nico casal no bar quando o show comecou). minhas saudades do Brasil ainda nao despontaram (para falar a verdade, nao estou muito certa se algum dia irao), e eu ainda nao aprendi a gostar de bossa nova, mas recebi as cancoes com muita simpatia e elas tiveram ate' um sabor diferente. estou tambem espantada com a variedade de coisas que existem nas lojas e supermercados. tudo muito bem embaladinho e bem cuidado, e milhoes de opcoes para todos os estilos alimentares. nao e' difi'cil achar comida low carb, e eu e meu noivo - que alia's, foi o responsa'vel pela minha introducao no maravilhoso mundo da South Beach diet - fizemos a festa no supermercado. a comida e' cara, na minha opiniao (quase 3 do'lares por um pe' de alface me soou indecente!), mas em compensacao os equipamentos eletronicos sao tentadoramente baratos (quase cai' de costas ao ver laptops novos e bons por 1000 do'lares - ainda caro, segundo meu noivo. e olha que aqui nem e' New York ou Miami). meio dura a constatacao de que temos o pior de quase tudo no Brasil, por precos infinitamente maiores e impostos abusivos. o que me incomoda um pouco e' a sensacao de alienacao, que na verdade nao sei se existe mesmo ou se e' impressao minha. por exemplo: a todo momento vemos, no Brasil, avisos e conselhos nos meios de comunicacao a respeito da necessidade de economia de a'gua, coisas do tipo. a impressao que tenho e' que as pessoas aqui vivem num mundo tao perfeito que nem se importam, ou talvez nem facam uma ide'ia clara de que estamos a beira de uma crise de a'gua mundial. pode ser que seja apenas uma percepcao sem fundamento - ainda nao vi nada ale'm de South Park na tv. mas da' pra' ver o quanto e' fa'cil se alienar quando se vive num mundo onde tudo funciona. no Brasil, onde o sofrimento esta' tao presente, onde pessoas passam fome nas nossas portas, ficamos muito mais sensi'veis ao que acontece fora de nosso pro'prio mundo, queiramos ou nao. mesmo que nao nos importemos, no's sabemos que o sofrimento existe e isso nao deixa de nos incomodar de alguma forma. aqui tudo e' bonitinho demais para que as pessoas se importem com o que esta' ale'm de seus quintais. talvez seja uma conclusao apressada, baseada apenas em fatos regionais... e, em nome da evolucao do ser humano, tomara que essa "si'ndrome de perfeicao" seja apenas aparente. |
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2005© Patricia Ariel. Love is the Law. |