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quarta-feira, agosto 24, 2005 |
11:50 PM
da musica e de meus altos padroes nunca encontrei na vida ninguem que nao gostasse de musica. tambem raramente encontrei gente que fosse tao critica e rabugenta em relacao 'a musica quanto eu. explico: musica e', pra mim, artigo de importancia capital. e' a unica coisa que consegue me manter concentrada, e que consegue me "roubar" de qualquer lugar onde eu esteja ou de qualquer coisa que eu esteja fazendo. tarefas macantes, como limpar a casa, acabam nao sendo tao dramaticas assim; e tarefas prazerosas, como desenhar, com a musica certa e' quase como droga, quase como se fundir com os lapis e a aquarela. pelo mesmo motivo, o do arrebatamento, nao consigo fazer coisas que exijam envolvimento mental ouvindo musica. nao consigo ler, nem escrever, nem fazer sexo ao som de alguma coisa, por mais "tudo a ver" que seja. para eu gostar o suficiente de algum tipo de musica, banda, etc, e' preciso que a mesma obedeca a alguns criterios: 1. [importantissimo] precisa me encantar, chegar ao meu coracao com facilidade. isso acontece geralmente numa primeira audicao, mas ha' musicas que e' preciso ouvir duas, tres vezes para o meu coracao assimilar. 2. preciso sentir a vibracao da banda, a parte "organica" da musica. e' por isso que tenho muita dificuldade para assimilar musica eletronica: eu nao consigo sentir que houve algo humano ali, o dedilhar de cordas, o movimento de maos sobre peles... musicas com vocais cheios de efeitos tambem nao me atraem. efeitos sao para dar um toque a mais, 'as vezes pra disfarcar uns errinhos, mas nao para despersonalizar o vocal. nao gosto. [no entanto, gosto de algumas bandas que usam muitos recursos eletronicos, como Stoa e Love is Colder Than Death. talvez porque sejam bandas mais para o neo-classico, e voce percebe que eles sabem o que estao fazendo; usam os recursos eletronicos com sabedoria, sempre mixando com os de verdade, a coisa vai muito alem de um mero baticum monocordio.] 3. nao pode ser derivativa. pra' que vou querer ouvir uma imitacao de Sisters of Mercy se posso ouvir o original? 4. precisa ter vida propria [este criterio tem mais ou menos a ver com o acima]. buscar referencias e' normal no processo de criacao artistica, e existe a tendencia de as bandas, no inicio, lembrarem muito suas influencias. Echo & The Bunnymen era um filhote do The Doors. mas mesmo assim, estava evidente o estilo que foi se delineando com o tempo e fazendo do Echo a perfeicao que e'. quando a banda e' boa, ela assume um carater proprio, nao tem jeito. ela cria uma estetica. dia desses, ouvi uma banda chamada Arditi [nem vou linkar aqui, tamanho o horror], pretendendo ser algo na linha do Death in June, que eu amo. ora, alem das musicas otimas, o DIJ tem toda uma proposta baseada na estetica nazi-fascista [e que por isso mesmo provocou, e ainda provoca, muita polemica], 'e uma banda profundamente conceitual. pois o tal Arditi me coloca tunes fascistas sobre uma base eletronica monotona e sem um pingo de criatividade. simples assim. isso e' ate' falta de respeito 'a estetica criada pelo DIJ, faca-me o favor. outra banda super imitada e' o Cocteau Twins: ja' ouvi dezenas de clones. eles vem quase sempre com reverbs exagerados nos vocais, 'a guisa de coisa "atmosferica", uns sintetizadores sem criterio nenhum, e pronto, voce tem uma banda ethereal. nao da'. |
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2005© Patricia Ariel. Love is the Law. |