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domingo, agosto 28, 2005 |
10:42 PM
no cinema tenho ido ao cinema com mais frequencia aqui do que quando morava no Brasil. mesmo assim, acabo esquecendo de comentar os filmes que vejo. ate' mesmo sobre a Fabrica, que esperei com tanta ansiedade, acabei nao escrevendo nada. entao aproveito que hoje fui ver The Brothers Grimm para fazer comentarios rapidos sobre tudo o que vi nas ultimas semanas. The Brothers Grimm - o maior trunfo do filme e' o visual, alucinantemente bonito. fazia tempo que eu nao via um filme tao bem cuidado nesse sentido. a floresta e' algo de arrepiar, assim como a torre onde mora a bruxa, um verdadeiro delirio. muito oportunas tambem sao as referencias aos contos de fadas de Grimm. e tem a Monica Belushi, a mulher mais linda do planeta. mas, pena, e' so' isso. a historia e' fraca e inconsistente, salpicada de um humorzinho barato que chega a irritar em certos momentos. parece completamente destoada da magia do filme, como se fossem duas coisas distintas. Angelika e' uma das melhores personagens, e da' do' reconhecer que poderia ter sido feita por uma atriz com mais carisma. Agua Negra - a direcao de Valter Salles e' tao caracteristica que faz voce jurar o tempo todo que esta' vendo uma producao nacional das boas. thriller de suspense angustiante, claustrofobico, e profundamente humano. detalhes significativos, como a chuva que cai todo o tempo e o cast, formado so' por atores de cabelos escuros, dao um toque especial, apesar de haver um certo exagero nas aparicoes da agua escura. o filme e' muito, muito simbolico. nao conheco a versao original mas, se o Valter Salles nao pesquisou muita astrologia para faze-lo, esta e' uma prova do poder das sincronicidades. os tres signos de agua [a saber, Cancer, Escorpiao e Peixes] estao claramente representados nesse filme com algumas de suas principais analogias, especialmente o signo de Escorpiao, que representa, literalmente, o titulo do trabalho. enfim, nao pretendo fazer uma analise mais aprofundada baseada nas minhas viagens esotericas, mas apenas dizer que, se voce nao espera um filme de terror tipico, mas algo mais onirico e emocional, vai gostar bastante. Charlie e a Fabrica de Chocolate (que merecia um post especial ja' que fiz um certo alarde, porem...) - sempre achei a versao original deste filme algo perversa. mesmo quando era crianca, e me encantava com a fabrica de Willy Wonka e desejava todas aquelas maravilhas acucaradas, ainda me perguntava sobre a estranha atitude da figura quando as criancas se davam mal durante a tour pela fabrica. isso me fez imaginar que Tim Burton faria algo ainda mais deliciosamente maligno, e passei dias na mais febril curiosidade. o filme e' mesmo impecavel - nao da' pra' se esperar outra coisa do Burton -, atores maravilhosos, tudo funciona. Johnny Depp construiu um Willy Wonka mais bufao, muito divertido e interessante, porem sem a acidez do construido pelo Gene Wilder, o que nao e' absolutamente um problema. muito legal a ideia de contar a infancia do Wonka e a historia dos oompa loompas, e as releituras das musicas para estilos mais atuais nao comprometeram o filme. no entanto... sai' do cinema com uma sensacao frustrante de coisa muito boa desperdicada, e tudo por causa daquele final que nao me convenceu. ok, eu sabia que seria tudo diferente, so' esperava algo mais inteligente e menos politicamente correto. acho que esperei demais. sábado, agosto 27, 2005 |
7:23 PM
![]() finalmente, depois de varias semanas, consegui resolver o problema do meu novo scanner e instala-lo por aqui. esta e' uma amostra do que tenho feito nos ultimos dias. a semelhanca da figura com a Venus do Boticelli nao e' mera coicidencia: o que eu pretendi fazer aqui foi um amalgama de Venus/Virgem Maria, com alguns elementos de deusas de panteoes diferentes... esta ilustracao 'e para a capa do Moons Enchantress, cd novo da minha banda, que deve sair qualquer dia desses... :P sexta-feira, agosto 26, 2005 |
12:22 PM
o feminino em farrapos este nao pretende ser um post polemico, nem discutir o assunto, que e' deveras delicado. e' um post sobre a falsa liberdade feminina, sobre inversao de valores, sobre a cultura do individualismo, marca registrada desses nossos tempos. eu nao sou a favor do aborto. tenho uma opiniao bem formada sobre isso, baseada nao apenas no meu singelo entendimento de como as coisas funcionam nesse mundo, mas tambem, no que sinto dentro do meu coracao. no entanto, nao condeno quem ja' praticou, pois ninguem pode estar na pele de ninguem para saber da dor de nao poder colocar um filho no mundo por alguma razao seria. assim como nao condeno o suicidio, nem a eutanasia, nem a pena de morte, apesar de tambem ser contra. eu sou pro-choice. eu escolho a vida [e tambem o anticoncepcional]. passeando ontem por foruns do Orkut e por discussoes pos-adolescentes em blogs, deparei com coisas que me deixaram de cabelo em pe'. a forma como as garotas se referiam a um bebe no utero era como falar de um corpo estranho, de um cancro, de uma coisa altamente perigosa e nojenta, quase um alien, surgida ali "do nada" e precisando ser extirpada. uma coisa digna de filmes de terror B, que vai sugar voce, te deixar exaurida, destruir o seu corpo e a sua vida para sempre. uma delas declarava: "mulher nao e' incubadora". well, acho que temos alguma falta de informacao aqui. queiram ou nao, queridas, seus uteros nao servem para outra coisa a nao ser abrigar bebes. incubadoras, sim, naturais, perfeitas. e um bebe nao surge la' dentro por obra e graca do espirito santo. para que isso aconteca, sua participacao e' importante. ou nao? [mais uma vez, atento para a delicadeza da questao. eu sei que voce pensou "queria ver se ela fosse estuprada e engravidasse". e, mais uma vez, nao 'e isso que quero abordar aqui. nem as meninas que morrem por abortos mal feitos, que poderiam ter sido realizados numa clinica limpinha. nem as criancas que vao nascer e nao vao ter o que comer. nem o procedimento eugenico (nazista?) de se eliminar criancas que nao serao perfeitas e vao sofrer e fazer os pais sofrerem o resto da vida. nao e' sobre isso que estou falando.] o pior de tudo e' o discursinho, velho, esfarrapado, pre-fabricado: "o corpo e' meu, e eu tenho o direito de fazer o que quiser com ele". claro que e'. agora, com o corpo alheio, a questao e' outra. porque um bebe ate' vive atraves de voce, mas nao e' o seu corpo. exige responsabilidade, como a que precisamos ter com todas as coisas vivas. [engracado, todo mundo quer ter livre arbitrio, mas ninguem quer ser responsavel por nada. responsabilidade e' a primeira exigencia do livre arbitrio. se voce nao esta' preparado para ser responsavel, desculpe, querido, mas voce nao esta preparado para a liberdade. esse, infelizmente, e' outro conceito enganoso bastante difundido nos nossos tempos.] a revolucao sexual foi boa sim, tanto para as mulheres como para os homens, so' que, em pleno seculo 21, as pessoas ainda nao sabem muito bem o que fazer com o que conquistaram. confundem as coisas. a chave para tudo nesse mundo e' o equilibrio,coisa dificil de ser adquirida e compreendida. mulheres e homens tem suas funcoes no mundo, funcoes essas definidas pela propria natureza. e nao adianta, que nao vao ser iguais nunca. e' algo alheio 'a nossa vontade, algo sobre a qual nao temos controle. e por diferenca, nao considerem supremacia de um sobre outro, porque as coisas nao sao bem assim. mulher e homem sao complementares, sao parceiros na vida. devem se ajudar conforme suas proprias atribuicoes, e nao competir uns com os outros. o corpo da mulher foi feito para alimentar, para gerar, funcao essa sacratissima, como sabiamente consideravam os antigos. mas hoje, nessa nossa cultura metida a besta,onde as pessoas se afastam mais e mais do Todo universal para cultivar seus egos, as funcoes femininas passaram a ser desconsideradas e desvalorizadas. somos livres, elas dizem. livres de que, se cada vez mais estao amarradas ao conceito erroneo de igualdade, ao apelo de uma cultura que exige que elas sejam "liberadas e independentes", donas do proprio corpo? no fundo, a mulher ainda tem inveja do falo, inveja essa que vai se metamorfoseando de acordo com o espirito das epocas. livres de que? de si mesmas, talvez. outro argumento: o de que a crianca vai vir ao mundo sem ser amada e vai sofrer as consequencias. mais uma vez, fico paralisada diante de tanta dureza de coracao, de tanta... robotizacao? isso 'e fruto de que, da cyber cultura? deixa eu ver se eu entendi: estamos nos fundindo com nossos computadores e perdendo a capacidade de amar? como assim, o que nos impede de amar nossos filhos, alem do nosso proprio egoismo? e' estarrecedor: a maioria daquelas meninas nao tem mais de 25 anos!! por que tanta frieza? que ideia de amor passaram pra essas meninas? ou sera' que eu estou no mundo errado? por favor, se alguem souber me explicar, sou toda ouvidos. eu tenho 35 anos e nunca engravidei. pouquissimas vezes tive condicoes financeiras de bancar um filho, por isso sempre tomei todo o cuidado. nao 'e dificil, e' so' ter um minimo de responsabilidade. tambem nao e' caro. e, quando estive em situacoes inesperadas e sem protecao [pouquissimas vezes], eu simplesmente nao ia ate' o fim. nao sou bicho que nao consegue controlar os proprios instintos, percebe? ha' muitas maneiras de se curtir um relacionamento sexual sem ser propriamente atraves de penetracao. eu quero ter um filho, quero loucamente, por varias razoes. gosto de crianca e sou uma pessoa hiper afetiva. acho que vou curtir a maternidade como poucas coisas. estou me lixando se engordar, se os seios ficarem flacidos, se a barriga tiver estrias. um dia a coisa vai ficar feia de qualquer maneira, e olha que nem esta' longe... um dos meus maiores pesadelos e' nao poder ser mae. penso nisso todos os dias. e penso na ironia do mundo quando garotas se sentem orgulhosas em se livrarem de seus bebes, enquanto pessoas pagam fortunas em tratamentos para terem exatamente o contrario. se isso e' ser retrograda, entao eu sou sim. and proud. e viva a maternidade, viva a mentruacao [e olha que eu passo mal pacas todo mes!], viva a abencoada condicao feminina de porta para que os espiritos voltem 'a terra para mais uma etapa de aprendizado. viva a minha mae, que nao achou que eu fosse minar o seu corpo e me recebeu com tanto amor. viva as Deusas que habitam em nos, viva o nosso poder lunar, de receptaculo do espirito, de coadjuvantes da criacao. que assim e', foi e sera'. porque somos pequenos demais para decidir o curso da natureza, e por que continuamos em nosso risivel orgulho de nos acharmos superiores a ela, e' que continuamos fazendo mal ao nosso mundo e a nos mesmos. quinta-feira, agosto 25, 2005 |
9:38 AM
da musica e meus altos padroes, part II 5. precisa ter criatividade [esse criterio tambem tem mais ou menos a ver com o anterior]. e' bacana quando voce ouve coisas de gente que entende muito do que faz, mas mesmo que nao entenda tanto assim, explorar criativamente o pouco que sabe tambem vale. caso do The Jesus & Mary Chain. as musicas [pelo menos as antigas, estou por fora dos trabalhos mais recentes] tem estrutura pobre, muitas vezes nao mais que tres ou quatro acordes, mas o' Senhor, como sao poderosas. onde encontrar docura e furia num mesmo album? enfim, com esses criterios chatos, ate' hoje so' consegui montar uma lista de talvez umas quarenta bandas/artistas preferidos, o que consequentemente empobrece minha colecao de cds. voce nao vai encontrar nada de que eu nao goste por la', nada que nao faca meu coracao dar pulos de alegria. mas o que falta em quantidade, na minha modesta opiniao de ouvinte, sobra em qualidade. quarta-feira, agosto 24, 2005 |
11:50 PM
da musica e de meus altos padroes nunca encontrei na vida ninguem que nao gostasse de musica. tambem raramente encontrei gente que fosse tao critica e rabugenta em relacao 'a musica quanto eu. explico: musica e', pra mim, artigo de importancia capital. e' a unica coisa que consegue me manter concentrada, e que consegue me "roubar" de qualquer lugar onde eu esteja ou de qualquer coisa que eu esteja fazendo. tarefas macantes, como limpar a casa, acabam nao sendo tao dramaticas assim; e tarefas prazerosas, como desenhar, com a musica certa e' quase como droga, quase como se fundir com os lapis e a aquarela. pelo mesmo motivo, o do arrebatamento, nao consigo fazer coisas que exijam envolvimento mental ouvindo musica. nao consigo ler, nem escrever, nem fazer sexo ao som de alguma coisa, por mais "tudo a ver" que seja. para eu gostar o suficiente de algum tipo de musica, banda, etc, e' preciso que a mesma obedeca a alguns criterios: 1. [importantissimo] precisa me encantar, chegar ao meu coracao com facilidade. isso acontece geralmente numa primeira audicao, mas ha' musicas que e' preciso ouvir duas, tres vezes para o meu coracao assimilar. 2. preciso sentir a vibracao da banda, a parte "organica" da musica. e' por isso que tenho muita dificuldade para assimilar musica eletronica: eu nao consigo sentir que houve algo humano ali, o dedilhar de cordas, o movimento de maos sobre peles... musicas com vocais cheios de efeitos tambem nao me atraem. efeitos sao para dar um toque a mais, 'as vezes pra disfarcar uns errinhos, mas nao para despersonalizar o vocal. nao gosto. [no entanto, gosto de algumas bandas que usam muitos recursos eletronicos, como Stoa e Love is Colder Than Death. talvez porque sejam bandas mais para o neo-classico, e voce percebe que eles sabem o que estao fazendo; usam os recursos eletronicos com sabedoria, sempre mixando com os de verdade, a coisa vai muito alem de um mero baticum monocordio.] 3. nao pode ser derivativa. pra' que vou querer ouvir uma imitacao de Sisters of Mercy se posso ouvir o original? 4. precisa ter vida propria [este criterio tem mais ou menos a ver com o acima]. buscar referencias e' normal no processo de criacao artistica, e existe a tendencia de as bandas, no inicio, lembrarem muito suas influencias. Echo & The Bunnymen era um filhote do The Doors. mas mesmo assim, estava evidente o estilo que foi se delineando com o tempo e fazendo do Echo a perfeicao que e'. quando a banda e' boa, ela assume um carater proprio, nao tem jeito. ela cria uma estetica. dia desses, ouvi uma banda chamada Arditi [nem vou linkar aqui, tamanho o horror], pretendendo ser algo na linha do Death in June, que eu amo. ora, alem das musicas otimas, o DIJ tem toda uma proposta baseada na estetica nazi-fascista [e que por isso mesmo provocou, e ainda provoca, muita polemica], 'e uma banda profundamente conceitual. pois o tal Arditi me coloca tunes fascistas sobre uma base eletronica monotona e sem um pingo de criatividade. simples assim. isso e' ate' falta de respeito 'a estetica criada pelo DIJ, faca-me o favor. outra banda super imitada e' o Cocteau Twins: ja' ouvi dezenas de clones. eles vem quase sempre com reverbs exagerados nos vocais, 'a guisa de coisa "atmosferica", uns sintetizadores sem criterio nenhum, e pronto, voce tem uma banda ethereal. nao da'. quinta-feira, agosto 18, 2005 |
2:48 PM
a internet e' uma maravilha mesmo eu nao consigo engolir essa gente pobre de ideias que fica famosa so' porque e' bonitinha ou estilosa. nada a acrescentar. o pior e' o povo que baba litros e fica batendo palmas pra maluco dancar. vao ler um livro, vao. nada contra as pessoas, ja' que nao as conheco. elas tem todo o direito de realizar seus sonhos umbiguistas atraves da internet. mas quando vejo o culto que os "fas" constroem em torno delas, me preocupo. ah, essa geracao precisa de idolos de verdade. + assombroso esse artigo da Constelar sobre a atual crise na politica brasileira. tive a oportunidade [e o prazer] de fazer uns workshops com o Carlos Hollanda e o Fernando Fernandes ano passado. alem de astrologos competentissimos, realizam um trabalho maravilhoso em prol da astrologia neste site, que considero um dos melhores sobre o assunto na web. quinta-feira, agosto 11, 2005 |
9:54 PM
sob o sol do Kentucky ando meio chateada e sem muita paciencia pra muita coisa. acho que e' um pouco culpa desse calor infernal: 95 F todo dia, o que da' mais ou menos uns 38 graus celsius. pra quem morou no Inferno [leia-se Rio de Janeiro] a vida toda, pode parecer facil de encarar. nao e', nao. la' eu nao morava em casa de madeira, que vai esquentando ao longo do dia ate' virar um verdadeiro forno 'as 2, 3 horas da tarde. ar condicionado, so' mais tarde, que 'e pra economizar energia eletrica e dinheiro. ate' la', e' mister encarar sessoes diarias de sauna for free. resultado: mesa de desenho vira uma verdadeira tortura com aquela luminaria acesa [nao da' pra desenhar 'a luz natural], e passo os dias vegetando, improdutivamente. dizem que isso continua ate' agosto. eu espero que esse ano as coisas sejam um pouco diferentes. detesto a sensacao de estar perdendo tempo, mas realmente, nao ha' quem consiga ter energia e pique pra' produzir num calor desses. + descobri que o contato diario com a lingua portuguesa esta' atrapalhando a melhora do meu ingles. sem contato com nativos, assistindo um minimo de televisao por dia e ainda ouvindo a radio espirita online em media umas quatro horas direto, nao tem como meu ingles progredir. preciso fazer alguma coisa rapido, ou vou para sempre ficar com vergonha de conversar com as pessoas e atender o telefone. + e a pequena Morgan esta' pior a cada dia. pula na nossa cama 'as 4 da manha para morder os nosso pes, puxa a roupa do meu marido do cabide e sai arrastando pela casa, se esparrama no teclado do computador e nao me deixa escrever [como agora]. e quem disse que a gente consegue brigar com ela? gato e' bicho do diabo mesmo, eles roubam nosso coracao, e parece que nos e' que somos deles, e nao o contrario... terça-feira, agosto 09, 2005 |
11:16 AM
imagens valem mais que mil palavras? pois entao, finalmente, estou tomando vergonha na cara e montando meu album de fotos. divirtam-se. segunda-feira, agosto 08, 2005 |
11:32 AM
fora do ar meu dominio, o Solstitium.org, esta' sendo desativado. resolvi que quero mudar o nome do dominio para algo mais "profissional", o que deve acontecer talvez daqui a uns dois meses. enquanto isso, meus projetos (o Butterflies e o site da minha banda)ficarao fora do ar. 10:20 AM
medicos, pra que vos quero estou numa fase meio impaciente para internet e computador. talvez seja culpa das minhas vistas, que vivem cansadas e precisam ser poupadas em nome do portfolio novo, mal iniciado. meu pedido de autorizacao de trabalho ja' foi para a imigracao e quando eles liberarem, preciso estar com um minimo de trabalhos novos prontos para mostrar por ai'. e' mesmo imperioso que eu passe menos tempo inutil na internet e evite continuar estragando as minhas vistas. final do mes tenho consulta marcada com oftalmologista daqui. vai ser minha primeira vez em medico americano. ainda nao tenho o health insurance, portanto meu dignissimo marido deve pagar um bom dinheiro por esta consulta. e se eu precisar de lentes novas, o que fatalmente vai acontecer, a conta aumenta. estava ate' pensando em mandar fazer no Brasil, o problema e' que eu vou ficar tempo demais sem oculos e nao tenho certeza se o trabalho vai vir para ca' bem feito, ja' que eu nao estou la' pra conferir. pode se tornar uma dor de cabeca ainda pior. e' bem provavel que eu precise mesmo de bifocais, como um dos medicos que visitei sugeriu, mas nao prescreveu porque "voce so' tem 34 anos e esta' nova demais para estar com as vistas tao cansadas". ok, entao, o certo e' o que ele aprendeu nos livros e com os CADAVERES, nao o que eu, paciente real e vivissima, estou relatando. essa mentalidade mecanicista me mata. + ter marido virginiano e' o que ha'. desde que vim morar com ele, passei a tomar 3 pilulas diferentes por dia e a ter minha pressao arterial checada regularmente. e nem preciso me queixar muito para ter consulta medica marcada. minha mae, que sempre reclamou que eu nao dou atencao 'a minha saude, que eu nao tomo remedio, que eu nao vou ao medico, etc, deve estar realizada. o problema nao e' nao dar atencao 'a saude. eu so' nao gosto de ter que fazer coisas sem a minima necessidade. sou do tipo que so' vai ao medico quando a coisa ta preta, que so' toma remedio quando esta' realmente incomodada. se eu nao encontrasse as vitaminas que sao depositadas todos os dias carinhosamente sobre a cafeteira, nem lembraria que elas existem. eu gosto mesmo e' de chazinhos, e acredito que, apenas por manter a sua saude mental, voce esta' se poupando de muitos problemas fisicos. exercicios + boa alimentacao + fazer o que se gosta: esta e' minha receita para uma vida longa e saudavel. sem essa de ficar dando dinheiro pra corporacoes, alimentando a industria farmaceutica, que, juntamente com os medicos materialistas, querem mais e' que voce fique bem doentinho para encher-lhes os bolsinhos. tem muita gente pagando fortunas em remedios que nao fariam a menor falta, acreditando que se esta' mesmo tao doente a ponto de se precisar de todas essas bombas. to fora. + a proposito: nao como mais carboidratos ruins, seja la' o que isso signifique, nem acucar. acreditem, funciona. depois que comecei a fazer essa milagrosa dieta, que se tornou um estilo de vida, pulei de 60 para 54 quilos num piscar de olhos, e ainda nao engordei uma grama sequer, mesmo depois do casamento. mas nao estou conseguindo brigar contra a vida sedentaria. enfiei na cabeca que so' vou fazer exercicios depois que ganhar a minha bicicleta... update: apesar de gostar de sentir as calcas caindo nos quadris, 'as vezes gostaria de voltar para os 60 quilos. hoje 'a tarde fiquei um longo tempo olhando uma foto minha de pouco mais de um ano atras, e tive a nitida impressao de que eu parecia mais jovem e mais saudavel. nao sei se gosto de ver as costelas aparecendo no espelho. tenho a impressao de que eu era mais eu, e ate' mais bonita, quando estava mais cheinha. terça-feira, agosto 02, 2005 |
11:17 AM
das lendas antes de vir para os Estados Unidos, eu costumava ouvir muitas coisas contadas por brasileiros a respeito do povo daqui. coisas negativas, obviamente, e sem o menor embasamento: nenhuma das pessoas haviam estado aqui ou sequer conheciam um americanozinho que fosse. era sempre "eu ouvi falar", "eu vi na televisao", "a vizinha da amiga da minha prima falou que...". dois dos pontos mais discutidos por esses sabios de plantao eram: 1. a frieza dos americanos; 2. o preconceito dos americanos contra latinos, principalmente brasileiros. isso sem contar a celebre, sugestionavel frase "americano e' tudo psicopata", que povoou meus ouvidos durante varias semanas e que, depois de me fazer dar boas risadas, acabou me deixando com a pulga atras da orelha. 1. os americanos nao sao "frios". sao antes pessoas muito simpaticas, abertas, e estao sempre dispostas a ajudar caso voce precise. a tal frieza e' so' uma questao de ponto de vista; aos olhos [e sentidos] sul-americanos, acostumados a abracos, beijos e efusivos cumprimentos, a "distancia" que as pessoas daqui mantem umas das outras pode parecer um pouco antipatica. confesso que isso 'as vezes me incomoda um pouquinho, acostumada que sou aos tradicionais beijinhos no rosto, a longos abracos nos meus amigos e a falar com as pessoas tocando nelas [sem grude, obviamente, e apenas quando percebo alguma abertura]. no entanto, admiro muito a forma como eles preservam o espaco do outro. fico muito incomodada com a mania que se cultiva no Brasil de se sair entrando na casas alheias, aparecer sem ligar, ou ligar pra conversar abobrinhas justamente na hora em que voce esta' atolado de coisas, achando que voce nao tem mais nada pra fazer na vida e sem ao menos perguntar se voce esta' disponivel. 2. ta' certo que minha vida social aqui e' praticamente nula. ta' certo que nao tenho um tipo "latino", mas o cabelo muito escuro e a tez mais moreninha denunciam que eu nao nasci aqui. as pessoas sempre me olham bastante nos lugares onde vou, principalmente quando uso saioes ou o vestido vermelho estampadinho [a americana media e' super sem sal e sem criatividade para se vestir], mas nunca e' um olhar de desaprovacao ou de desprezo pela minha estrangeirice. nem quando abro a boca e vem aquele sotaque brabo. e' claro que deve existir preconceito em algum lugar, pois onde ha' seres humanos ha' todas essas babaquices, mas por enquanto, ainda nao vi. [alias, para uma nacao que esta' se tornando uma filial do Mexico, alimentar preconceito contra latinos e', no minimo, um paradoxo: e' impressionante o numero de imigrantes mexicanos, mesmo aqui na "roca", e como principalmente as comidas deles ja' foram incorporadas ao cardapio americano; sem contar que o espanhol se torna, cada vez mais, uma especie de segunda lingua por aqui.] se ja' sofri preconceito alguma vez, foi exatamente no meu pais, nacao de cultura fortemente hierarquizada, onde as pessoas nao hesitam em mandar "para os seus lugares" todos aqueles que nao demonstram algum traco de "ascendencia social". na Terra Brasilis tudo e' motivo para se sentir acima do seu semelhante: comprar um carro, ter um salario melhorzinho, morar na Zona Sul, fazer faculdade. meu pai ja' foi discriminado por entrar em restaurante com roupa de operario - ele era eletricista da Light e usava aquele macacao cinza, quem e' velho se lembra. quando o garcom o abordou com recomendacoes pouco amistosas, ele colocou o maco de notas graudas sobre a mesa, disse umas verdades, depois as recolheu e se retirou. quando meu noivo ia me visitar no Rio, eu entrava em lugares bacanas de havaianas e so' faltavam colocar o tapete vermelho pra eu passar - e' claro que o tratamento seria "levemente" diferente se eu aparecesse sem o gringo loiro de olhos azuis do lado. ja' sofri discriminacao por morar na Baixada Fluminense - sim, aquele lugar onde rolou a chacina, no inicio desse ano. desde olhares tortos mal-disfarcados, passando por carinhas de nojo ate' discriminacao verbal mesmo. outros nao acreditavam que uma pessoa formada em moda, estudante de Historia da Arte, com ingles e que nao gostava de pagode nem de funk pudesse morar logo em Duque de Caxias, "puxa, eu pensei que voce morasse na Tijuca..." sempre falei "Duque de Caxias" em alto e bom som, que e' pras pessoas aprenderem que nao e' o lugar onde voce vive que vai te fazer uma pessoa melhor. quer me isolar so' porque eu pego o trem pra ir pra casa, problema seu. algumas das pessoas mais geniais que eu conheco andam de trem e compram cinco pacocas por um real. e, pasmem, ate' mesmo la' as pessoas discriminam, pois voce e' melhor visto se morar num bairro mais nobre. e entra no shopping da Unigranrio de chinelinho e roupinha tosca pra voce ver so' uma coisa. nao quero, com esses comentarios, insinuar que os EUA e' o lugar sensacional do planeta, nao, porque nao e'. o problema de alienacao aqui e' cronico. as pessoas levam uma vida vazia e acham que isso e' normal, se preocupam demais com coisas sem importancia, e no geral nao estao nem ai' se tem crianca chorando de fome no nordeste brasileiro ou na Africa [talvez nem saibam a diferenca, tambem]. mas isso e' assunto para um outro post... segunda-feira, agosto 01, 2005 |
10:53 AM
![]() senhores, essa e' a Morgan. nao, ela nao veio do abrigo. o pessoal demorou tanto a ligar pra dizer que tinham aprovado a adocao, que meu marido desistiu e resolveu encontrar uma gatinha por outros meios. e no mesmo dia respondeu a um anuncio de doacao de gatinhos colocado num mural do escritorio. a Morgan veio no dia seguinte [na ultima sexta-feira], naturalmente assustada, mas nao demorou muito a se ambientar 'a casa e ate' dividiu a cama com a gente na primeira noite. ela e' um doce: muito amorosa, meiga, adora fazer carinho, mas, como todo gatinho-bebe, e' uma verdadeira capetinha. estou completamente apaixonada por ela. acho que foi um verdadeiro presente dos deuses. agora deixa eu ir ali, salvar a minha pimenteira... |
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2005© Patricia Ariel. Love is the Law. |